Patrícia Camargo

Patrícia Camargo - Formação em Psicanálise Clínica com o Prof. Wilson Cerqueira, do Centro de Estudos em Psicanálise Clínica, filiado à Associação Brasileira de Psicanalistas Clínicos (ABPC).

Realiza atendimentos como Psicanalista Clínica em Sorocaba e Campinas.

Também trabalha há mais de 7 anos com Coaching de Vida e é especialista em Coaching Afetivo. É conciliadora da Justiça Federal e autora dos blogs Coaching Afetivo e Psicanálise Sorocaba.

Por que fazer Psicanálise ?
Porque em algum momento de nossas vidas sofremos traumas, sentimos mágoas, culpas, frustrações, perdemos o rumo, nos desconhecemos, buscamos ser melhores do que somos e sabemos que podemos ir além.

Geralmente, as pessoas não têm consciência das diversas causas que determinam seus comportamentos e suas emoções. Estas causas estão em nosso inconsciente, e através de um Processo Psicanalítico, é possível compreendermos por que agimos como agimos e como podemos ser pessoas melhores, mais equilibradas e conscientes de nossos atos e escolhas.

Através do método da Individuação desenvolvido por Jung, paciente e analista buscam juntos a resolução dos conflitos mediante sua re-significação, possibilitando a ampliação da consciência do paciente. Com a interpretação do material trazido pelo paciente, o Processo Psicanalítico possibilita o surgimento de novos caminhos e novas possibilidades para que o paciente tenha uma vida plena e feliz.

Contatos pelo e-mail psicanalise@patriciacamargo.com.br ou pelos celulares (15) 9 9855-2277 / (19) 9 9739-4019 (What´s app)


Link da matéria da TV Tem (Afiliada da Rede Globo em Sorocaba) em que Patrícia Camargo é entrevistada sobre como realizar seus sonhos :



quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Podemos deixar de sofrer por amor ?


Muito já se disse sobre o amor. Atendo em meu consultório semanalmente pessoas que querem resolver suas questões amorosas. Umas sofrem por não ter seu amor correspondido, outras se lamentam por que ainda não encontraram o amor e outras ainda vivem grandes crises em seu relacionamento afetivo.

Como já disse o grande Camões : 

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor? 

O amor nos torna vivos ! Quando amamos, buscamos dar o nosso melhor. Quando nos frustramos no amor, parece que muita coisa ao nosso redor não dá certo, e nos perguntamos “ por que o amor não dá certo em minha vida ?”

O amor foi dividido em 3 tipos : Ágape, Eros e Philos. É muito interessante analisarmos cada um deles.

O amor Ágape é o amor de Deus para com seus filhos, portanto, um amor incondicional. Independente do que façamos ou da maneira como agimos, Deus sempre nos amará, pois seu amor não tem condições ou pré-requisitos, ele apenas nos AMA. Analisando esta premissa, sentimos que somos aceitos de qualquer forma pelo que verdadeiramente somos, com nossos defeitos, nossas qualidades, nossas limitações, nossas intenções. Este é o amor de Deus, portanto, superior a cada um de nós.

O Eros é o amor ligado a parte sensual e sexual.  Está ligado às nossas paixões, às atrações físicas, pois é um amor carnal. É impulsionado pelo prazer e pela conquista. Está ligado á nossa sexualidade, ao prazer, ao encontro físico com o outro, que pode tomar dimensões maiores do que somente a dimensão erótica, caso exista juntamente com o amor Philos.

O amor Philos é o amor baseado na amizade, no respeito ao próximo, na confiança, na nossa vida em sociedade. Se faço um bem ao próximo, estou fazendo a mim mesmo, assim como se lhe faço mal, este mal também é direcionado a mim.  Alguns povos da África utilizam a expressão Ubuntu para designar a relação do indivíduo e sua comunidade, através da consciência de que o que é bom para um, é bom para todos, uma linda expressão do amor Philos.

Não somos perfeitos, mas podemos dar nosso melhor. E isto quer dizer que, tendo a consciência de que existe um amor maior de Deus para com seus filhos, de você para com sua comunidade, sua família e com as pessoas do seu convívio, e de você com seu parceiro, podemos unir todos estes sentimentos num sentimento de respeito e União.

A partir desta conscientização, aceito não brigar com meu amado porque a briga só nos levará à discórdia. Aceito nossas diferenças, coloco limites, busco o diálogo, porque sei que nosso convívio serve para nosso aprimoramento pessoal. Abro minha mente para questões maiores do que somente meus problemas individuais, pois reconheço que meus problemas não são os piores do mundo e que posso optar por ajudar ao meu próximo, sabendo que estarei, automaticamente, ajudando a mim mesmo ! 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Criando filhos independentes


Estudando Winnicott, famoso pediatra e psicanalista infantil, entendemos o conceito da “mãe suficientemente boa”. Espera-se desta mãe exatamente o que estas palavras expressam : que ela não seja ótima, a ponto de atender todas as solicitações do bebê mas que também não seja indiferente ao que a criança solicita, portanto, que seja suficientemente boa e atenta ao seu filho.

Os primeiros anos de vida e todo nosso desenvolvimento na infância moldam o adulto que seremos. Se fomos imediatamente atendidos, teremos grande chance de sermos mimados, de termos baixa tendência às frustrações, uma vez que tudo nos foi dado de imediato. Se não fomos atendidos, podemos desenvolver um grande carência e insegurança, uma vez que o atendimento de nossas necessidades foi custoso.

Encontrar este equilíbrio é uma tarefa importante dos pais, que a partir deste desenvolvimento, serão capazes de criar filhos independentes. Filhos que aceitam limites mas que não se acomodam em ir atrás dos seus sonhos. Filhos que têm iniciativa, que têm segurança em sua caminhada e que sabem que se falharem, terão o apoio dos pais e o amadurecimento desejável quando nos frustramos e não atingimos nossos objetivos.

Cabe aos pais darem limites aos seus filhos. A forma é muito importante : com amor, carinho, mas assertivamente, sem receios, firmes no propósito de construírem filhos de valioso caráter. 

A partir das restrições e do amparo familiar, os filhos vão se desenvolvendo. Se não foram mimados, podem se permitir arriscar e ousar na vida, sempre com prudência, pois foi assim que aprenderam com seus pais.

Se foram mimados, provavelmente vão aguardar que as oportunidades caiam do céu, que o mundo saiba reconhecer como são especiais e como devem, por isto, ser atendidos de imediato. Qualquer frustração será um problema para eles, serão dependentes emocionais de aplauso e reconhecimento pelo pouco que fazem, uma vez que pouco fazem porque esperam que o mundo os reconheça e lhes dê tudo de graça.

Se você como filho se enquadrou em algumas destas situações, pense em como sempre é tempo de dar novas direções à sua vida. Pense como sempre é tempo de ser um bom pai ou uma boa mãe. 

Perceba que os filhos pedem por limites, porque os limites também expressam amor e cuidado dos pais em relação aos filhos. E através deles, criaremos filhos independentes, de grande bravura e caráter, que possivelmente ensinarão aos seus filhos, estes mesmos valores, criando assim um ciclo virtuoso.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Lidando com as diferenças no casamento


Atendo muitos casais nestes anos de trabalho e percebo que muitas vezes o que lhes falta é um ajuste em relação às suas diferenças. Vejo casais que se gostam e querem partilhar a vida juntos, mas que por verem a vida de formas diferentes, vivem em conflito e após anos de brigas chegam à conclusão de que o melhor para eles é a separação.

Seria bom que as pessoas que se casam tivessem em mente que um casamento nada mais é do que unir duas pessoas diferentes com suas diferenças. Isto quer dizer que para um bom convívio, ajustes serão necessários. Que cada um terá que ceder um pouco, pois num casamento não é mais possível que só a vontade de um prevaleça.

Com a chegada dos filhos, mais ajustes serão necessários, pois estamos falando da educação de um ser. Eles devem chegar num acordo quanto a esta educação e evitar atrito perante os pequenos. Pois o atrito lhes deixa marcas, medos, gera insegurança e confusão em cabecinhas tão pequenas que estão aprendendo com os pais o que é certo e o que é errado.

Já que as diferenças existem e são inevitáveis, há de se pensar que o melhor caminho para a conciliação e o consenso no casamento seja através dos valores. Vocês podem ter escolhas profissionais diferentes, um vir de uma família mais pobre e outro de uma família mais rica. Podem vir de famílias grandes ou pequenas, podem estar em fases diferentes em que um prioriza a carreira enquanto o outro prioriza as finanças. Mas quanto mais afinados seus valores estiverem, maiores as chances de resolverem seus conflitos e superarem os atritos e as diferenças.

Se um gosta de balada e o outro é caseiro, é possível conciliar ? Se um é mais comunicativo e gosta de encontrar os amigos e o outro é mais introspectivo e não quer ver ninguém, dá pra conciliar ? Se um quer dinheiro a todo custo e faz horas extras intermináveis enquanto o outro prioriza a família, é possível conciliar ?

Muitas outras perguntas podem ser feitas neste sentido, mas é importante ter em mente que as diferenças podem ser decorrentes da fase vivida e não serem permanentes. Numa situação de desemprego, é evidente que a economia do dinheiro e o corte de supérfluos são mais necessários do que numa época em que as finanças estão em dia. Mas e se não for uma fase ? E se um for sempre mesquinho e outro um grande mão aberta, é possível este convívio sem atrito ?

Ao pensar no seu casamento, analise com quais diferenças é possível você conviver e lidar. Admire os pontos positivos do seu cônjuge, lembre-se do que fez você se apaixonar por ele. São questões simples e de grande reflexão, que podem lhe ajudar nas soluções dos conflitos e das suas diferenças. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Não mudamos o passado, mas mudamos nosso sentimento em relação a ele


Uma criança foi ridicularizada e inferiorizada na infância, cresceu ouvindo que “tudo o que você faz está errado” e que “você não presta pra nada”.  Uma outra criança cresceu sendo valorizada, amada, ouvindo sempre “como você é inteligente !” e tantos outros elogios. Obviamente sabemos que a partir destas experiências, provavelmente teremos adultos com visões diferentes a seu respeito.

A primeira criança, ao crescer, poderá ser um adulto inseguro, que se deprecia e acha que faz tudo errado. Pode ser alguém com medo de tomar iniciativas porque acredita que nada do que faz dá certo. Esta criança inferiorizada que se expressa com insegurança anos mais tarde, poderá não desenvolver todo seu potencial, simplesmente porque não acredita – e ninguém a incentivou a isso – que será capaz de grandes realizações.

A segunda criança terá maiores chances de ser um adulto bem sucedido, confiante, seguro. Poderá ser mais ousado, demonstrará pró-atividade e não terá medo de arriscar e errar, pois entende que erros e tropeços fazem parte da vida, e não que ele é uma pessoa incapaz.

A criança insegura e inferiorizada poderá crescer e olhar para seu passado com compreensão, poderá analisar quem foram as pessoas que tanto a depreciaram e entender que elas não a incentivaram porque não sabiam como fazê-lo, ou porque talvez também não tenham sido encorajadas por ninguém a desenvolver seu potencial. E que - sem esta análise dos fatos - este ciclo poderá se repetir indefinidamente.

Será prudente para o adulto que foi uma criança segura e auto confiante, fazer uma análise sobre sua vida e buscar ser justo com as pessoas, tentar evitar a arrogância e a prepotência que podem andar consigo a partir de suas vivências anteriores.

Em ambos os casos, a mensagem é a mesma : não podemos mudar nosso passado, mas podemos mudar nosso sentimento em relação a ele. Este já é um grande passo para sermos pessoas mais leves, mais justas, mais resolvidas e mais felizes.