Patrícia Camargo

Patrícia Camargo - Formação em Psicanálise Clínica com o Prof. Wilson Cerqueira, do Centro de Estudos em Psicanálise Clínica, filiado à Associação Brasileira de Psicanalistas Clínicos (ABPC).

Realiza atendimentos como Psicanalista Clínica em Sorocaba e Campinas.

Também trabalha há mais de 7 anos com Coaching de Vida e é especialista em Coaching Afetivo. É conciliadora da Justiça Federal e autora dos blogs Coaching Afetivo e Psicanálise Sorocaba.

Por que fazer Psicanálise ?
Porque em algum momento de nossas vidas sofremos traumas, sentimos mágoas, culpas, frustrações, perdemos o rumo, nos desconhecemos, buscamos ser melhores do que somos e sabemos que podemos ir além.

Geralmente, as pessoas não têm consciência das diversas causas que determinam seus comportamentos e suas emoções. Estas causas estão em nosso inconsciente, e através de um Processo Psicanalítico, é possível compreendermos por que agimos como agimos e como podemos ser pessoas melhores, mais equilibradas e conscientes de nossos atos e escolhas.

Através do método da Individuação desenvolvido por Jung, paciente e analista buscam juntos a resolução dos conflitos mediante sua re-significação, possibilitando a ampliação da consciência do paciente. Com a interpretação do material trazido pelo paciente, o Processo Psicanalítico possibilita o surgimento de novos caminhos e novas possibilidades para que o paciente tenha uma vida plena e feliz.

Contatos pelo e-mail psicanalise@patriciacamargo.com.br ou pelos celulares (15) 9 9855-2277 / (19) 9 9739-4019 (What´s app)


Link da matéria da TV Tem (Afiliada da Rede Globo em Sorocaba) em que Patrícia Camargo é entrevistada sobre como realizar seus sonhos :



sábado, 19 de dezembro de 2015

Feliz Natal ! Feliz 2016 !


“Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.”    Miguel Torga

Feliz Natal ! Feliz 2016 !

domingo, 22 de novembro de 2015

A diferença entre Coaching e Processo Terapeutico - por Marcos Wunderlich


Frequentemente recebo questionamentos que se repetem, então decidi compartilhar alguns aqui, pois podem contribuir para o cotidiano de vocês. Recentemente recebemos a seguinte dúvida: Faço análise há 2 anos, mas também gostaria de uma ferramenta que me ajudasse a ser mais assertiva nas minhas decisões, pois trabalho e dou o máximo de mim, poróm não consigo atingir a remuneração almejada e fico extremamente abalada ao ver pares crescendo e eu não. Poderia me contar brevemente a diferença entre Coaching e Processo Terapêutico?

Para entender a diferença entre Coaching e processos terapêuticos é preciso esclarecer os conceitos de psicoterapia e terapia. As psicoterapias são exercidas por profissionais das áreas de psicologia, psiquiatria e psicopedagogia. Já as terapias podem ser realizadas de diferentes formas, como exercícios físicos, caminhadas, massagens, meditação, yoga, dinâmicas de grupo, cultivo pessoal, aconselhamento, entre outras.

Coaching não é um processo psicoterapêutico, mas pode ser terapêutico quando o Coachee vai adquirindo bem estar e qualidade de vida ao se desenvolver pessoal e profissionalmente. O próprio encontro entre o Coach e o Coachee é terapêutico, na medida em que ambos se beneficiam pela troca humana.

O Coaching não é tão profundo como uma psicoterapia, pois seu foco está nas questões atuais, na assertividade, gestão de carreira e perspectivas futuras do Coachee, e não considera traumas passados ou outras situações que possam se refletir no decorrer das nossas vidas.

Como Coach, às vezes encaminho ou aconselho meus Coachees para que façam também psicoterapia ou outras terapias, seja simultaneamente ou após um intervalo no processo de Coaching. Os psicoterapeutas formados em Coaching pelo Instituto Holos são orientados a não aplicar as duas metodologias simultaneamente na mesma pessoa. Um cliente que deseja fazer psicoterapia simultaneamente ao Coaching deve buscar profissionais diferentes para cada atividade.

No seu caso específico, sugiro a aplicação das duas metodologias simultaneamente, pois você tem demandas de soluções imediatas e rápidas. Mas é importante ter em mente que o Coaching não é a solução para todas as dificuldades da vida. Nós não temos controle de tudo, apenas fazemos parte do fluxo da vida e nem sempre as coisas ocorrem como desejamos.

Por maior que seja o esforço, pensamento positivo, programação mental, milhares de sessões de Coaching que façamos não nos darão nenhuma garantia de obter o que desejamos. Se conseguirmos, também não há nenhuma certeza de manter tal satisfação em longo prazo, já que é da natureza do ser humano em pouco tempo desejar novos objetivos, traçar novas metas e cair na armadilha de projetar a felicidade no futuro, esquecendo-se que só se pode ser feliz agora, independente de qualquer situação externa. Para entender bem este conceito, sugiro que assista ao filme “O poder além da vida”, com Nick Nolte.

Cada um de nós é um ser único. Ao nos compararmos com outras pessoas, tendemos a criar sentimentos negativos, sejam de inferioridade ou superioridade, como o orgulho ou a inveja (marcas mentais chamadas de venenos da mente). Tente assumir a sua própria vida como ela é e seguir seu próprio rumo. Sentir satisfação e agradecer pelo que ela te proporciona lhe ajudará a se sentir sempre feliz e satisfeito. Continue almejando coisas boas, independente de consegui-las ou não, e lembre-se que você sempre é uma pessoa especial e maravilhosa, em qualquer circunstância.

Boa sorte!
Abraços,
Marcos Wunderlich

domingo, 1 de novembro de 2015

Whiplash : Em busca da perfeição


Quando esteve em cartaz nos cinemas do Brasil, o filme "Whiplash : Em busca da perfeição" chamou pouca atenção. Pessoas envolvidas com jazz e ouvintes de boa música provavelmente aguardaram por sua estréia. Mas numa temporada em que concorria com excelentes filmes como "Birdman", "A Teoria de tudo", "Boyhood" e "Para sempre Alice", para muita gente passou desapercebido. Atualmente passando no canal HBO, é uma excelente oportunidade ao expectador que perdeu sua exibição nos cinemas, de apreciá-lo agora em sua casa. Porque é um grande filme e expõe com maestria até que ponto o ser humano pode chegar para atingir seus objetivos. 

Temos um baterista dedicado, que sempre sonhou em ser o melhor e para isto, pouco se importa em fazer amigos, investir num relacionamento afetivo ou mesmo cultivar amizades entre os outros músicos que também se sujeitam a tudo para brilhar. Do outro lado, temos um maestro obstinado, que pouco se importa com o respeito ao próximo e que faz da humilhação, constrangimento e exposição dos seus alunos, a válvula motivadora para que eles busquem sempre mais - a perfeição - como o título do filme já sugere. 

No decorrer do filme, vemos ensaios exaustivos, humilhações constantes, raiva, rivalidade, sangue, suor e lágrimas, tudo ao extremo, em busca do grande reconhecimento.

Não posso falar mais, para não estragar a surpresa do filme, mas a cena em que o maestro explica ao baterista que age como age porque se assim não o fizesse, não inspiraria o aparecimento de um novo talento, assim como aconteceu com Charlie Parker, é esclarecedora. E a cena final, quando ambos demonstram sua natureza já conhecida por nós expectadores, e a levam ao extremo, é de uma inteligência deliciosa, fecha o filme com chave de outro, vale o ingresso, como dizemos. Porque nos leva a uma reflexão profunda sobre a natureza de cada um, sobre nossas expectativas, sobre o que estamos fazendo com nossas vidas. 

Será que sabemos o que queremos ? Será que estamos dispostos a tudo para sermos os melhores ? Será que sabemos em quê somos bons ? Será que temos inteligência para driblarmos as adversidades, especialmente quando elas surgem de pessoas mal intencionadas que provavelmente só querem nos colocar em situações limites e que podem nos levar a desistir de nossos sonhos ? Também por isto o filme é bom : porque é uma aula de auto conhecimento. E porque as músicas de jazz são o grande complemento para um filme ao mesmo tempo simples e complexo.

E vale lembrar : J. K. Simmons ganhou o Oscar merecido por melhor ator coadjuvante ! 

sábado, 24 de outubro de 2015

Psicanalista Ana Laura Giongo, sobre "Divertida Mente": de dentro para fora


Divertida Mente, a mais nova animação da Pixar, tem por título original Inside Out. Se fosse assim traduzido, teríamos uma pista mais precisa do que vamos assistir: uma visão de "dentro para fora", ou "ao avesso", do que se passa na mente. É uma animação infantil por ser dirigida aos pequenos, mas que, com seu argumento consistente – baseado em conceitos das neurociências e da psicanálise –, também toca profundamente os adultos, que podem se remeter à experiência "infantil" que deu forma a suas vidas.

O filme coloca em cena, de modo colorido e preciso, o trabalho de inscrição das memórias que vêm a constituir nossa estrutura psíquica. No universo retratado, a mente de Riley, uma menina de 11 anos, vai se compondo a partir das experiências vividas e das marcas que as mesmas vão deixando. No comando de sua mente – e na de todos ao seu redor –, estão cinco sentimentos: Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Repulsa. Cada experiência pode ser armazenada como "traço de memória" num destes registros. Algumas memórias, mais preciosas, transformam-se em "memórias-base", definidoras do psiquismo. Outras são diluídas no tempo, assim como algumas "memórias perigosas" vão para um lugar ao qual não se tem acesso: o "subconsciente".

Na infância de Riley se formam "ilhas de lembranças", estruturas que sustentam sua personalidade e que, por circunstâncias da vida, na passagem da infância à adolescência, são abaladas e precisam ser reinventadas, reconstruídas.

No filme, a Alegria tenta garantir um destino que exclua as memórias tristes e acaba por produzir uma confusão de sentimentos. A relação entre Alegria e Tristeza retrata a forma como nossa cultura lida com a tristeza: ela tem que ficar "presa", é inútil e incômoda. Assim, uma das riquezas do filme é dar à tristeza um lugar de valor: um sentimento necessário, que permite refletir e dar sentido à experiência vivida.

Acima de tudo, Divertida Mente captura as crianças por cumprir uma função importante da ficção na infância: dar nome e consistência àquilo que não se consegue colocar em palavras. Assistir a um ataque de birra de "dentro para fora" permite identificar o sentimento que está no fundo desta cena.

O sucesso do filme se mede pelos efeitos nas crianças. Escutei de algumas delas perguntas sobre se os adultos também sentem medo, reflexões sobre que sentimento estaria "no comando" em alguns momentos e, inclusive, a criação de outro "personagem-sentimento", quando uma menina disse que inventaria a Dúvida para a sua mente. Ao retratar a mente de "dentro para fora", o filme abre – para crianças e adultos – janelas para dentro.

* Psicanalista, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre

domingo, 11 de outubro de 2015

sábado, 10 de outubro de 2015

Oração da Felicidade - Papa Francisco


Não chore pelo que você perdeu,
lute pelo que você tem.
Não chore pelo que está morto,
lute por aquilo que nasceu em você.
Não chore por quem te abandonou,
lute por quem está a seu lado.
Não chore por quem te odeia,
lute por quem te quer feliz.
Não chore pelo teu passado,
lute pelo teu presente.
Não chore pelo teu sofrimento,
lute pela tua felicidade.
Não é fácil ser feliz,
temos que abrir mão de várias coisas,
fazer escolhas e ter coragem de assumir
ônus e bônus para ser feliz.
Com o tempo vamos aprendendo
que nada é impossível de solucionar,
apenas siga adiante com quem quer
e luta para estar com você.
Se engana quem acha que a riqueza e o status atraem a inveja…
as pessoas invejam mesmo é o sorriso fácil,
a luz própria,
a felicidade simples e sincera
e a paz interior…

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Autismo e Psicanálise


Na semana passada, tive a oportunidade de participar de uma palestra muito interessante sobre Autismo e Psicanálise. Durante meus estudos em minha formação como Psicanalista Clínica, confesso que o autismo sempre me chamou a atenção e credito isto ao fato de saber que ali, naquele ser, existe um "eu" e que este "eu" interage muito pouco com as pessoas ao seu redor e com a sociedade em geral.

O autista não é esquizofrênico, não é paranóico, não é neurótico, não é psicótico - é autista. É um ser que acaba tendo limitações intelectuais justamente porque não interage com seu próximo. Ele sofre de um retardo mental devido á falta de interação porque se fechou em si mesmo. Mas é alguém que merece atenção, e foi aí que a palestra me encantou.

A Psicanálise analisa o autista como um sujeito, porque ele tem um querer. Ele gosta de algumas pessoas, de outras não. Ele gosta de algumas cores, de outras não. Ele gosta de alguns ambientes, de outros não. Ele, de alguma forma, sente afinidades, prazeres, desprazeres... então tem alguém ali, claro ! E este alguém merece nosso cuidado, nosso carinho, nossa atenção para que possa se desenvolver. E pasme : para que todos ao redor dele também possam se desenvolver.

Existem relatos de mães que não sabem lidar com seus filhos autistas. Geraram aquele ser, mas não o compreendem, não conseguem se comunicar... e assim, acabam involuntariamente se distanciando de seus filhos. Filhos estes que precisam muito de sua atenção.

Não se sabe ao certo a origem do autismo. Várias são as linhas de tratamento propostas e me parece que a mais adequada é aquela que o trata com uma abordagem interdisciplinar : psicanálise, fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, pediatria, entre outros.

Existe uma polêmica em relação ao tratamento do autista pela Psicanálise, por aqueles que julgam que a Psicanálise vai necessariamente culpar os pais pelo autismo do filho. Isto se baseia nas observações do psiquiatra Léo Kanner na década de 40. Porém, anos mais, ele próprio reformulou suas idéias sobre este conceito, e esta reformulação teve repercussão bem menor do que suas (errôneas) idéias iniciais sobre a Psicanálise e o Autismo.

A abordagem psicanalítica vai tratar da relação dos pais com o filho autista. Vai propor e desenvolver maior interação entre eles, e quando agregada a um trabalho de Individuação com os pais, produz resultados expressivos.

Tenho a alegria de ter feito minha Formação em Psicanálise numa escola que prega o amor aos seus pacientes, que prega olharmos nossos pacientes com o máximo respeito, seguindo os passos de Individuação propostos por Jung.

Tenho uma grande amiga que tem um filho com Síndrome de Down. Ele não é autista, mas também exigiu e ainda exige cuidados especiais. Não me consta que ela tenha procurado um Psicanalista para ajudá-la na educação e no desenvolvimento de seu filho, mas sei que houve e ainda há um fator fundamental e decisivo no crescimento do seu filho : AMOR.


domingo, 16 de agosto de 2015

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Grupo de apoio para separados em Sorocaba


Se você passou por uma separação, seja ela de namoro, noivado ou casamento, este grupo é para você ! Através de técnicas de Coaching e Individuação, este grupo de apoio visa ajudar as pessoas a superarem o processo de separação muitas vezes doloroso e traumático.

Leia mais : http://coachafetiva.com.br/grupo-de-apoio-para-separados-em-sorocaba/

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Culpas, mágoas e frustrações


Culpas, mágoas e frustrações fazem parte da vida. E estão mais presentes do que a gente imagina, infelizmente ! Esta bagagem que levamos nos torna pesados, ressentidos, magoados e presos a pessoas e situações que merecem ser resolvidas, para que possamos seguir adiante mais leves - e mais livres !

Se alguém te pediu um favor e você não o fez, a culpa pode surgir. Pode surgir porque você podia fazer o favor mas resolveu pensar mais em você no que no outro, mas também pode surgir porque você não podia atender aquele pedido naquele instante, e mesmo assim você se culpa. Mas por que se culpa ? Na maioria das vezes, porque acha que assim o outro vai gostar menos de você, o que é um erro, afinal gostar do outro não tem nada a ver com fazer ou receber um favor. Mas muitas vezes pensamos que sim...

As mágoas acontecem geralmente quando criamos muita expectativa em relação ao outro. Você tem certeza que pode contar com ele e não pode... ou que seu chefe é um cara bacana, até ele te dar uma bronca na frente de todo departamento sem se importar se está te humilhando em público. E aí surge a mágoa, o rancor, a raiva também. Como ele pôde fazer isso com você ?

As frustrações normalmente são decorrentes de nossas atitudes, do que pensávamos que seríamos capazes de fazer e não fazemos. E assim vamos empurrando a vida com a barriga, frustrados por não sairmos do lugar, mas sem ao menos termos tentado... Assim fica difícil.... não fazemos, nos frustramos e continuamos não fazendo, alimentando um ciclo vicioso sem fim...

Quem não tem culpa geralmente é mais livre ou mais egoísta. Quem não tem mágoas sabe que a receita é simples : não idealizar ninguém, afinal ninguém é perfeito, e isto também serve para nós ! E para não se frustrar, basta agir. Agir com consciência do que se quer, com uma intenção clara, de preferência que não vá machucar ninguém, mas que vai te proporcionar um prazer por ter ido atrás do que você deseja, do que você acredita.

Pense nas suas escolhas. É possível que você descubra que a vida pode ser mais simples do que parece. Só depende de você...

terça-feira, 28 de abril de 2015

Intolerância faz mal, muito mal


Tenho visto muitas pessoas intolerantes e muitas cenas de intolerância também. Por vezes a intolerância se manifesta através da perseguição. Algumas vezes ela está camuflada, mas num lapso de memória ou num ato falho ela vem à tona. Eu poderia dizer que junto com o egoísmo, e talvez por consequência deste, a intolerância é um dos males do nosso século.

Hoje novamente um guarda branco matou um suspeito negro nos EUA. Desnecessário dizer que isto acontece aqui no Brasil diariamente e é muito pouco noticiado. Gays, lésbicas e transexuais são perseguidos simplesmente por sua escolha sexual. Homem tem que ser homem e mulher tem que ser mulher - e com o caráter, ninguém está preocupado ? Então ser corrupto e desonesto pode, mas homossexual nem pensar ! E a intolerância religiosa ? Quantos muros mais serão construídos em nome da religião ? Mas a mensagem não era "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei ?"

Li com profunda admiração um texto da Fernanda Montenegro sobre a morte da crítica teatral Bárbara Heliodora. Me chamou a atenção como elas eram amigas e nutriam grande admiração uma pela outra, mesmo que - e não foi raro - a crítica da Bárbara Heliodora ao trabalho da Fernanda tivesse sido algumas vezes mordaz e talvez impiedosa. Esta divergência de opiniões nunca abalou a amizade das duas - que coisa extraordinária ! 

Recentemente vemos a polaridade do país dividido entre petistas e não petistas. Um grupo não conversa com o outro e se ofende com o outro. Mas ambos não podem expressar suas opiniões ? Não podemos mais ser amigos e sermos divergentes ?

No dia a dia, gostamos de conviver com pessoas que pensam como nós. Na verdade, nossas amizades são baseadas nisso. Mas as diferenças existem e sempre existirão e temos que ficar alertas para não cairmos na intolerância expressa na não aceitação de opiniões diferentes das nossas.

Na família temos pessoas diferentes de nós. No trabalho, na igreja, na faculdade. O mundo é rico exatamente por isso : porque somos diferentes. Aceitarmos as diferenças e os diferentes faz parte do bom convívio, desde que não mexa com seus valores. E aí volto à questão do caráter já mencionado no início deste artigo.

Procure ser tolerante com as pessoas ao seu redor. Procure conviver e olhar o melhor que cada um tem a lhe oferecer. E não se admire se perceber que o maior presente foi você quem recebeu : ser uma pessoa pacífica, tolerante, com um sorriso nos lábios, estimada por muitos - apesar de todas as diferenças.

sábado, 18 de abril de 2015

Pessoas de mal com a vida


Em nosso dia a dia convivemos com diversas pessoas. As mais próximas moram conosco ou são nossos familiares mais chegados como pais, irmãos, cônjuge e filhos. Convivemos com várias pessoas no trabalho e também nos lugares em que frequentamos como academias, escolas, associações, clubes, grupos de afinidades, entre outros. E neste convívio diário, vamos estreitando laços com que temos mais afinidades. Mas uma coisa é quase sempre inevitável : mais cedo ou mais tarde nos deparamos com pessoas que estão de mal com a vida.

Às vezes pode ser o porteiro do seu prédio, que mesmo vendo você sobrecarregada com compras, não faz a gentileza de lhe abrir a porta do elevador. Pode ser seu vizinho, que teima em estacionar seu carro sempre atrapalhando a sua garagem. Pode também ser alguém de quem você precise um documento, uma aprovação, uma confirmação... enfim, as pessoas de mal com a vida sempre estarão no seu caminho.

O inverso também é verdade. Outro dia me surpreendi ao ser ajudada por uma senhora no supermercado que me viu apreensiva com tantas sacolas de compra na mão tendo que atravessar uma rua movimentada. Sem eu pedir ou sem ao menos eu notar sua presença, ela se ofereceu pra me ajudar a colocar minhas compras no carro. Quanta gentileza !

Em outra ocasião, uma senhora bateu no meu carro bem de leve, no intervalo entre o sinal amarelo e vermelho. Eu desci imediatamente do meu carro para ver o suposto estrago e para minha surpresa, a senhora veio em minha direção me abraçando, perguntando se eu havia me machucado. Não, eu não havia me machucado, nem meu carro havia sido amassado, mas a delicadeza dela em me abraçar e a preocupação dela em se certificar de que eu estava bem, me comoveram num mundo tão agitado e 
cheio de pessoas que não estão nem um pouco preocupadas com as outras.

Quando você encontrar pessoas de mal com a vida, só lhe resta lamentar por elas. Talvez dando-lhes um abraço ou lhes desejando um bom dia numa atitude verdadeiramente desinteressada possa quebrar um pouco o gelo, quem sabe lhes mostrar que pode haver cuidado e gentileza neste mundo acelerado como o nosso. Pensei em enviar um bilhete na última vez que encontrei uma pessoa assim com os dizeres “Seja feliz”, mas não o fiz. E se ela tomasse aquilo como uma provocação ? Não, não era provocação, era quem sabe o despertar para um mundo fora dela, mais colorido, mais humano, menos burocrático e sisudo.

Se pessoas de bem com a vida cruzarem seu caminho, dê-lhes ao menos um sorriso para demonstrar que compartilha com elas de sua felicidade no viver. E se as de mal com a vida também cruzarem o seu caminho, procure dar-lhes o mesmo sorriso, desta vez na intenção de lhes mostrar que não vale a pena o mau humor e a agressividade ou a rigidez, mas sim a alegria de viver e espalhar bom astral por onde você passar.

sábado, 4 de abril de 2015

Feliz Páscoa !


Nesta Páscoa, gostaria de desejar a você muita paz e harmonia. Que você tenha um reencontro consigo mesmo e que as portas que Ele já abriu conduzam realmente a um caminho de muita luz, renovação e libertação.

sábado, 21 de março de 2015

Sobre a gagueira - filme "O discurso do rei" - por José Henrique P. E. Silva


No filme "O Discurso do Rei" a psicanálise está batendo à porta. Ainda não foi convidada, mas já se insinua, como era tão comum naqueles "tempos heróicos", de expansão e tentativa de consolidação desta nova forma de ver o sujeito.

O filme retrata um episódio verídico na vida de uma família real, mas a história poderia ser de qualquer um e, atentarmos bem se repete a todos os dias, bem próxima de nós mesmos. Impossível não se deixar angustiar com a dor de Bertie. Firth, em sua interpretação, nos mostra muito bem toda a intensidade da dor revelada na gagueira de Bertie. Não estamos falando apenas de um problema "mecânico", como o próprio Bertie deseja solucionar. Muito interessante que a psicanálise não é convidada a entrar no filme, mas ela está, a todo instante, batendo à porta. Estamos em 1939, ano em que o filme atinge seu clímax com a declaração de guerra da Inglaterra à Alemanha (1 de setembro) e ano da morte de Freud (9 de setembro). Me apeguei nesta quase coincidência de datas para justamente enfatizar que, se a psicanálise não é convidada a entrar ela está batendo à porta. Como?

Bertie chega ao "terapeuta da fala" e pede por uma solução mecânica para seu problema. Aqui mais uma interessante coincidência pois ele busca um terapeuta da fala sem imaginar que essa "fala" que será melhorada é de outra ordem que não a mecânica. Mas ele insiste: não quer falar de seus problemas "pessoais". O terapeuta não é um psicanalista e não faz referências diretas à psicanálise, mas leva, gradativamente, Bertie a perceber que ele precisa, de alguma forma, entender que sua gagueira é quase que uma "impossibilidade de falar", no sentido de se expressar, ter a liberdade para se expor. É nessa trilha, calma, que vai se desenhando uma história pessoal que revelava Bertie como fruto de um grande medo.

Ele parecia seguir a uma ordem: "fique calado". Seu pai, o rei, era duro, dizia ao pequeno Bertie que ele respeitara o seu pai e que ele também faria o mesmo. O tom alto da voz do pai o fazia tremer, e era suficiente para lhe ditar um lugar: um lugar muito pequeno, um pequeno espaço onde teria que se virar para sobreviver. O mesmo acontecia com seu irmão mais velho (e natural herdeiro do trono). Bertie relata o quanto a babá do irmão o tratava mal, limitando ainda mais seu espaço de liberdade e expressão. Bertie, então, foi fruto de uma formação precária, onde a autonomia lhe era retirada a todo instante, onde o calar-se era a melhor estratégia para sobreviver. Ainda na infância, não esqueçamos, sofreu uma série de "enquadramentos", como no caso da "correção" das pernas tortas e no caso de reaprender a escrever com a mão direita por ser canhoto. Além disso, tinhas crises estomacais crônicas.

Mas, o fato é que irmão, em pouco tempo, recusa a corôa e prefere seu casamento. Caberá a Bertie assumir o trono. Mas, como? Como aquela criança insegura e medrosa poderá liderar uma nação? Nós não precisamos ter que liderar uma nação para sentirmos as mesmas angustias de Bertie, basta que tenhamos que lidar com a realidade e nossas responsabilidades. É nesse momento que, muitos de nós, revelamos nosss fraquezas e nossa pequenez. Mas nada disto é o que nos define como sujeitos. Podemos inverter o jogo. Bertie estava imerso em um masoquismo moral, a ponto de sequer se atrever a falar daqueles que lhe tinham causado algum prejuízo. Mas, na realidade, não estava plenamente convencido de que sua natureza estava definitivamente conformada a este fato.

Ele não queria fugir às suas responsabilidades. Talves mesmo ele se contentasse em ser um homem comum, mas não o era. Não se trata do fato de ele não ser "grande", mas de, por muito tempo, não ousar querer realmente manifestar essa grandeza. Não podemos esquecer que ele obedecia a uma ordem: "fique calado". Então, diante da necessidade de assumir a posição deixada pelo pai e recusada pelo irmão, ele não desiste e enfrenta os obstáculos. Ler aquele discurso para toda uma nação, e ler tantos outros depois, significava para Bertie, antes de mais nada, recuperar sua grandeza, nem tanto enquanto rei, mas como sujeito, como indivíduo, recuperar sua autonomia, sua liberdade.

Quem sabe, para toda aquela nação inglesa ele tenha sido um efetivo ponto de apoio e esperança, mas acima de tudo, mais do que a nação ele tinha conquistado a si mesmo, recuperado aquela liberdade que havia sido afastada de si, ainda tão criança. Ele iria livrar-se dos "medos infantis", frase de seu terapeuta e que ecoa como um sopro da psicanálise, justamente naquele momento histórico em que ela tinha seu fundador morrendo e transformava-se em algo como um vento que se espalharia rapidamente pelo mundo.

Podemos até tentar escapar à psicanálise, ou mesmo buscar alternativas, mas não podemos nos furtar ao encontro consigo mesmo. Em algum momento esse encontro se impõe e dele resulta um sujeito ainda mais forte e livre, onde a vida flui… como a fala deve fluir, não só mecanicamente, mas como veículo para o encontro consigo mesmo, e com o outro. A dor de Bertie, nos mostrada em sua dificuldade em se expressar, era o sofrimento por não se sentir um sujeito na sua plenitude, livre para expresar sua grandeza. Que mais buscamos, cada um de nós, nesta vida? É difícil, então, não nos reconhecermos um pouquinho naquelas expressões de dor… por não poder falar. 

domingo, 1 de março de 2015

Reflexões sobre Spock


Escrevo estas linhas sob as emoções da perda de nosso querido Spock, ou melhor, de Leonard Nimoy. A confusão é proposital, porque são poucos os que conseguiram a proeza de confundirem o personagem com seu intérprete. Contamos nos dedos : Chaplin e Carlitos, Peter Sellers e o Inspetor Clouseau da Pantera Cor de Rosa, Leonard Nimoy e Spock e para fazermos jus aos nossos heróis nacionais, Mazzaropi e Jeca Tatu, como bem lembrou meu marido, grande fã de Spock. 

Spock era a parte lógica do trio ao qual pertencia, junto com o médico Bones e com o Capitão Kirk. Hoje estudando psicanálise, poderia fazer o paralelo entre id, ego e supergo neste famoso trio, onde Kirk seria o id, movido pela aventura e por suas emoções, Bones o ego representando a realidade, e Spock o superego, a lógica, o sensor.

Quem acompanhou todas as séries de Star Trek (clássica, desenhos animados, Nova geração, Deep Space Nine, Voyager, Enterprise  e mais recentemente o remake da série clássica para o cinema), sabe que Star Trek sempre se propôs a grandes reflexões filosóficas. Mais tarde, incentivados pelo grande sucesso de Star Wars para o cinema, as séries migraram para a telona com filmes memoráveis – não posso deixar de mencionar  que o primeiro filme lançado em 1979 é de uma profundidade absurda, quem não assistiu, merece ir atrás deste grande filme.

E falando especialmente da série clássica, vamos acompanhando a evolução de Spock, um ser meio Vulcano e meio humano (sua mãe é terráquea e por isso suscetível às emoções) que vai se humanizando cada vez mais ao longo da série. Sua saudação “Live Long and Prosper”  deixou uma marca registrada a um personagem tão intrigante, que por muitas vezes não compreendia as piadas dos humanos ou as decisões aparentemente impróprias feitas por seu capitão Kirk, quando Spock  diz : “As necessidades de muitos se sobrepõem às necessidades de poucos” e é imediatamente corrigido por Kirk : “As necessidades de um se sobrepõem às necessidades de muitos” numa circunstância em que desejava salvar a vida do amigo.

Meu marido e eu tivemos a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente quando ele esteve no Brasil em 2003. Ele trazia um sorriso no rosto que não era comum para nós, por conta de Spock. Respondeu a todas as perguntas, contou qual foi sua inspiração para o gestual que acompanha a famosa frase “Live Long and Prosper” e ainda se dispôs a dar autógrafos pra toda aquela multidão com alegria e boa vontade.

Lembrei-me agora dos dois livros que ele escreveu “Eu não sou Spock” e logo depois “Eu sou Spock” – demonstrando mais uma vez a simbiose entre criador e criatura. Como foi bom tê-lo como Spock. Como é bom vê-lo ser lembrado com muito carinho por todos os seus fãs...

Nesta última 6ª. feira, quando Nimoy nos deixou, acompanhei com comoção o que muitos disseram sobre a partida de Nimoy/Spock. Não sei se ele poderia imaginar que o Presidente Obama iria se pronunciar e nem sei se nós brasileiros, esperávamos que no Jornal Nacional William Bonner e Renata Vasconcelos  iriam homenageá-lo em rede nacional. 

Lamentei sua partida como uma fã um pouco tardia da série, pois só fui de fato conhecer a série quando comecei a namorar meu marido há 15 anos e ele me apresentou a este mundo tão extraordinário e interessante que é o mundo da ficção científica. Antes disso, Spock era para mim um homem de orelhas pontudas, o que me fez prontamente imaginá-lo como o vilão da história. 

Sinto sua partida com certo pesar, pois agora sei que ele não mais nos brindará com seu grande personagem, e não mais nos surpreenderá, como o fez no 2º filme do remake de 2013, quando sua aparição me causou um misto de susto e alegria, pois o spoiler de que ele estaria neste 2º. filme não chegou até mim antes de eu assistí-lo.

Leonard Nimoy foi um herói pra mim. Seu personagem Spock é um exemplo de conduta, ética e disciplina. Meu coração está saudoso mas feliz, pois ele nos deixou um grande legado.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Você está pronto para morrer ?


O grande neurologista e também escritor Oliver Sacks, de 81 anos, anunciou recentemente ter câncer terminal. Esta notícia me deixou um sentimento de saudade, uma vez que Sacks, apesar de seus 81 anos, continua muito produtivo. Seus livros são traduzidos no mundo inteiro, sua contribuição para a neurociência tem sido muito significativa, e até o filme "Tempo de Despertar" de 1991, foi resultado de uma obra dele. Com tanta contribuição para o mundo, acho natural já sentir uma certa saudade prematura de alguém que contribuiu e ainda vem contribuindo tanto para a humanidade. Mas fica a pergunta : estamos prontos para morrer ?

Estar pronto para morrer talvez não seja o termo mais adequado, uma vez que na maioria esmagadora das vezes, o ser humano não deseja a morte e por isto nunca está realmente preparado para morrer. Mas não trago esta questão no sentido de ter medo da morte ou no sentido de acreditar em algo além da vida, o que aliás, acredito. Penso nesta questão no sentido do desapego.

Meu professor de Psicanálise, com muita sabedoria, nos diz que este corpo não é nosso, nossos filhos não são nossos, nossos cônjuges não são nossos, nossos pais não são nossos, e que na verdade tudo isto que recebemos é emprestado. E ao analisarmos por esta ótica, se não é nosso e sim emprestado, o desapego é mais fácil. Com este olhar, podemos levar uma vida mais leve e com menos sofrimento, pois se não é nosso, é passageiro, efêmero, muitas vezes circunstancial.

E esta saudade ao saber da morte do Oliver Sacks me vem porque ao anunciar para o mundo de sua fase terminal da doença, ele escreveu um texto muito comovente. Ele agradeceu. Disse ter extrema gratidão em relação à vida, como traduzido abaixo :

"Mas meu sentimento predominante é o de gratidão. Eu amei e fui amado; recebi e dei em troca; li e viajei e refleti e escrevi. Eu tive um relacionamento com o mundo, o tipo de relacionamento especial que os escritores e leitores tem. Acima de tudo, eu fui um ser sensível, um animal pensante, nesse lindo planeta, e isso em si mesmo tem sido um grande privilégio e uma aventura”.

Que maneira mais bonita de refletir sobre a vida ! Agradecer por tudo, reconhecer o amor, os momentos em que deu e recebeu, em que refletiu, escreveu... como é bonito termos este sentimento quando estamos próximos da partida !

Outra coisa que me chamou a atenção é que ele disse que agora pode não se importar com coisas que pertencem ao futuro, como o aquecimento global e a desigualdade social. Pode sim, porque imagino que vá aproveitar seus momentos fazendo o que ama ao lado das pessoas que ama. Mas como é bonito ver alguém nos seus momentos finais ainda pensando no todo, em algo tão coletivo e empático como o aquecimento global e a desigualdade social.

Oliver Sacks fará falta porque não pode ser substituído. E aqui está o grande segredo : ninguém pode ! Todos nós somos únicos e por isso especiais. Todos nós temos a oportunidade de deixar um grande legado e belos exemplos. E você : está pronto para morrer ?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Errar é humano ?


Nós sempre cometemos erros, isto faz parte da caminhada do ser humano. Algumas vezes erramos sem perceber e apenas após algum tempo nos damos conta de que tomamos uma decisão errada. Outras vezes erramos por omissão, por não nos posicionarmos frente ao que nos exigiu coragem para uma decisão. Mas existem vezes em que erramos propositadamente, mesmo sabendo que causaremos danos ás pessoas ao nosso redor. Por isto me pergunto : errar é humano ?

Sim, errar é humano porque não somos perfeitos, porque não temos ciência de tudo o que acontece ao nosso redor. Uma história tem várias versões : a nossa, a do outro e também a de um terceiro que está de fora e consegue ver a situação com mais clareza justamente por não fazer parte dela. 

Mas eu poderia dizer que errar é humano quando somente eu sofrerei a consequência do meu erro. Se eu deveria ter escolhido azul e não verde e depois reconheço que o azul teria sido melhor pra mim, foi aparentemente um erro de escolha, mas que não lesou ninguém, não prejudicou ninguém, apenas a mim mesma.

Mas eu posso também cometer um erro que também prejudica outra pessoa. E isto pode não ser intencional, mas de alguma forma resultado das ligações que esta pessoa tem comigo e que a fizeram de alguma forma colher a consequência do meu ato. Neste caso errar não é só humano, é também consequência de uma atitude imperfeita.

Mas existem situações em que as pessoas persistem no erro e estão constantemente provocando consequências em outras pessoas. Já disse o ditado popular que errar é humano e persistir no erro é burrice. Quando persistimos numa atitude que cronicamente gera um mal para nós e para as pessoas ao nosso redor, nossa atitude pode de fato ser considerada um erro.

E como seria uma atitude maldosa ? Ela acontece quando intencionalmente desejamos o mal para o outro, quando sabemos que podemos optar por azul ou verde, mas escolhemos o verde com a intenção de prejudicar o outro. Aí está uma atitude maldosa.

E podemos ter um equilíbrio em nossas atitudes ? Sim. Quanto mais empáticos e menos egocêntricos formos, mais tenderemos a cometer erros humanos e menos erros em que outras pessoas estarão envolvidas, intencionalmente ou não. Ao colocarmos o outro em primeiro plano, nossa perspectiva para a solução do problema é maior, e muitas vezes, surgem novas oportunidades que antes não víamos, porque estávamos necessariamente olhando somente para nosso umbigo.

Errar é humano sim, faz parte da nossa caminhada. Aprender com os erros, porém, é sinal de grande sabedoria.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Somos tudo o que podemos ser ?


Semana passada sonhei um sonho que me remeteu à minha adolescência. Na verdade o sonho fazia uma ligação entre meu passado recente e minha adolescência. Foi um sonho psicanaliticamente falando, muito rico, cheio de simbologias, conexões, interpretações... mas o que este sonho me fez refletir é : somos tudo o que podemos ser ?

Uma das minhas séries favoritas é Anos Incríveis, com o inesquecível Kevin Arnold e suas descobertas. Tenho vários episódios favoritos, mas um deles é sobre sua aula de piano. Neste episódio, Kevin estuda piano e se propõe a estudar com afinco para uma audição que a professora marcou para dali algumas semanas. E assim o vemos estudando no piano enquanto seu amigo Paul o chama para jogar - e ele nega. Vemos seu irmão tentar distraí-lo, mas a concentração do Kevin é maior. Vemos ele não almoçar, não jantar, abrir mão de tudo para estudar aquele Cânone de Pachebel. E vemos sua evolução nos estudos, o encantamento de sua família com sua linda melodia.

Até que chega o dia do ensaio da audição com todos os alunos da professora reunidos. Para seu espanto, o aluno mais metido e mais almofadinha iria apresentar justamente a mesma composição que a sua, o Cânone de Pachebel. Kevin, nitidamente abalado, erra várias notas, perde o ritmo e volta pra casa apavorado.

Claro que no dia da apresentação ele não foi. Claro que naquela época ele não soube compreender o que a professora de piano queria lhe mostrar : que existem várias maneiras de se tocar a mesma música. Umas mais rígidas, tecnicamente perfeitas, outras mais humanas, com características próprias de seu intérprete, como era o caso do Kevin Arnold.

Mas no dia da apresentação vemos Kevin em frente á casa da professora enquanto a audição acontece lá dentro. Ele viu seu rival tocar a mesma música que ele... e foi embora. Me tocou muito este episódio, porque na verdade Kevin era capaz de tocar tão bonito quanto o aluno almofadinha, certamente com mais emoção do que o outro rapaz, mas ele desistiu... Não viu que a riqueza estava na diferença, viu sim que não era perfeito, não era tecnicamente tão capaz quanto o outro, e assim, não descobriu tudo o que poderia ser naquele momento.

Em nossa vida nos deixamos intimidar por colegas de trabalho, por chefes, por pais autoritários, por familiares maldosos ou  por falsos amigos ? Acreditamos em nosso potencial ? Entendemos o por quê de nossas limitações, qual o componente emocional ali envolvido ?

Um simples sonho me fez repensar sobre tudo isso, reviver o episódio do seriado com as reflexões da época e com algo mais. Com mais anos vividos, mais bagagem nas costas...

Será que somos tudo o que podemos ser ?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Como formamos nossos valores


Temos um conhecimento ativo, referente a tudo o que nos cerca e que nos é importante principalmente em determinado momento. Por exemplo, aprendi que uma caneta é uma caneta desde a infância. Fui crescendo, adquirindo novas experiências, mas ainda sei que uma caneta é uma caneta. Este conhecimento então está consolidado em mim.

Em outra situação, vou numa loja e sou atendida por um vendedor que me diz : “Meu nome é Pedro, se precisar de mim, estou à disposição”. Durante todo momento em que eu estiver na loja, vou solicitar ao Pedro novos modelos ou novas cores e tamanhos para a roupa que me agradou. Enquanto estou ali, me lembro que o vendedor se chama Pedro, e por isso, este conhecimento é ativo para mim. Se fui bem atendida e desejo voltar naquela loja, o nome daquele vendedor ficará consolidado para mim, pois quando eu voltar àquela loja, desejo ser atendida por ele. Mas se o atendimento nem foi tão bom, ou se não encontrei na loja a roupa que eu gostaria, em uma semana não lembrarei mais do nome do Pedro. Aquele conhecimento era ativo para mim enquanto eu estava na loja, ao não necessitar mais daquela informação, o conhecimento não se transformou em consolidado.

E o que são nossos valores ? São conhecimentos consolidados que introjetamos, pois reconhecemos que significam algo para nós. Por exemplo, minha “tia” do pré primário se chamava Cecília, e lembro do nome dela até hoje porque ela foi marcante para mim. Mais de trinta anos se passaram, mas ainda me lembro do nome e do rosto dela. Eu introjetei isto, ela virou valor para mim.

O mesmo acontece com nossos comportamentos : se admiro uma pessoa simpática, se tenho uma experiência boa sendo simpática, introjeto este valor e sou uma pessoa simpática também. Da mesma forma, se admiro uma pessoa econômica, por vezes mesquinha com dinheiro, introjeto este valor em mim e passo a ser uma pessoa econômica também.

Estamos em contato com nossas crenças e valores o tempo todo e re pararmos para refletir, nos questionamos sobre estas crenças e estes valores em nosso dia a dia. Frequentemente nos deparamos com crenças e valores que não desejamos mais, e aí, através de uma conscientização interna, nos livramos de antigas crenças e valores e introjetamos novas crenças e valores.

Mas então a mudança se efetiva desta forma ? Simples assim ? Simples assim, mas não é fácil. Estamos falando de anos e anos de comportamentos, crenças e valores assimilados por nós. E o mais interessante é que de acordo com nossa caminhada, com as experiências que vamos colhendo, mais temos a oportunidade de melhorarmos e nos moldarmos de acordo com nossa nova visão de vida.

Mas sempre melhoramos ? Melhoramos se quisermos, se identificamos que isto será melhor para nós. De fato muitas pessoas nascem e morrem do mesmo jeito, o “pau torto morre torto”, porque aquela pessoa não despertou para a mudança, não reconheceu que valeria a pena mudar para colher novos resultados em sua vida.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Festas não tão felizes assim...


As festas terminaram. O ano novo já começou. Começou com trânsito, mortes, enchentes, posse de novos ministros, novos escândalos da Petrobrás, etc, etc....

Estamos com forças renovadas para mais um ano - pelo menos é o que o marketing ao nosso redor quer nos dizer. Mas acredito ser mais convincente para nós do Hemisfério Sul este sopro de renovação ao início de um novo ano, pois também coincide com o início do ano escolar. Mesmo que você não estude mais, sabe que este país só começa a funcionar de verdade depois do Carnaval. Portanto, até que é bem pertinente renovarmos nossas esperanças na chegada de um ano novo.

Mas as festas terminaram há pouco, e penso que seria interessante botarmos um olhar mais atento a elas. Muita gente não gosta de Natal, Ano Novo ou esta época de festas em geral, e se formos olhar intimamente para a vida destas pessoas, é muito provável que não tenham tido uma infância feliz nesta época do ano.

Se a pessoa foi filha de pais separados, provavelmente se viu dividida entre os pais no Natal. Se passou muita dificuldade na infância, com poucos recursos ou vivenciando brigas e violência em casa, também não tem o registro de esta ser uma época feliz.

São inúmeros os exemplos de pessoas que não tiveram uma infância feliz e nesta época de festas se vêem mais tristes, deprimidas, com sensação de não realização e de menos valia. Isto é compreensível, mas não pode ser natural.

Conheço pessoas que mesmo na adversidade conseguem ter um sorriso no rosto, conseguem ter forças para lutar e para enfrentar as adversidades da vida.

Por isso, não se deixe abater na época de festas ou em momentos difíceis de sua vida. Todos nós somos especiais porque somos únicos ! Todos nós temos uma força interior para vencermos os momentos difíceis mesmo quando estes momentos são de extrema solidão.

Se suas festas de 2014 não foram como você esperava, desde já mentalize um final de ano melhor para 2015. Tem muita coisa pra acontecer em sua vida este ano ainda, mas pense na idéia de passar as festas ao redor de pessoas queridas, independente se são seus familiares ou não. Se aproxime de quem você gosta e de quem gosta de você. Cultive a amizade. Procure deixar as mágoas de infância para trás e viva cada dia dando o seu melhor, cuidando de seu jardim para um final de ano em 2015 bem melhor do que o final de 2014. Feliz Ano Novo !