Patrícia Camargo

Patrícia Camargo - Formação em Psicanálise Clínica com o Prof. Wilson Cerqueira, do Centro de Estudos em Psicanálise Clínica, filiado à Associação Brasileira de Psicanalistas Clínicos (ABPC). Fez Pós Graduação em Psicologia Junguiana no IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa em São Paulo.

Realiza atendimentos como Psicanalista Clínica em Sorocaba e Campinas e também online.

Também trabalha há mais de 15 anos com Coaching de Vida e é especialista em Coaching Afetivo. É conciliadora da Justiça Federal e autora dos blogs Coaching & Psicanálise e Psicanálise Sorocaba.

Por que fazer Psicanálise ?
Porque em algum momento de nossas vidas sofremos traumas, sentimos mágoas, culpas, frustrações, perdemos o rumo, nos desconhecemos, buscamos ser melhores do que somos e sabemos que podemos ir além.

Geralmente, as pessoas não têm consciência das diversas causas que determinam seus comportamentos e suas emoções. Estas causas estão em nosso inconsciente, e através de um Processo Psicanalítico, é possível compreendermos por que agimos como agimos e como podemos ser pessoas melhores, mais equilibradas e conscientes de nossos atos e escolhas.

Através do método da Individuação desenvolvido por Jung, paciente e analista buscam juntos a resolução dos conflitos mediante sua re-significação, possibilitando a ampliação da consciência do paciente. Com a interpretação do material trazido pelo paciente, o Processo Psicanalítico possibilita o surgimento de novos caminhos e novas possibilidades para que o paciente tenha uma vida plena e feliz.

Contatos pelo e-mail psicanalise@patriciacamargo.com.br ou pelos celulares (15) 9 9855-2277 / (19) 9 9739-4019 (What´s app)


Link da matéria da TV Tem (Afiliada da Rede Globo em Sorocaba) em que Patrícia Camargo é entrevistada sobre como realizar seus sonhos :



terça-feira, 28 de abril de 2015

Intolerância faz mal, muito mal


Tenho visto muitas pessoas intolerantes e muitas cenas de intolerância também. Por vezes a intolerância se manifesta através da perseguição. Algumas vezes ela está camuflada, mas num lapso de memória ou num ato falho ela vem à tona. Eu poderia dizer que junto com o egoísmo, e talvez por consequência deste, a intolerância é um dos males do nosso século.

Hoje novamente um guarda branco matou um suspeito negro nos EUA. Desnecessário dizer que isto acontece aqui no Brasil diariamente e é muito pouco noticiado. Gays, lésbicas e transexuais são perseguidos simplesmente por sua escolha sexual. Homem tem que ser homem e mulher tem que ser mulher - e com o caráter, ninguém está preocupado ? Então ser corrupto e desonesto pode, mas homossexual nem pensar ! E a intolerância religiosa ? Quantos muros mais serão construídos em nome da religião ? Mas a mensagem não era "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei ?"

Li com profunda admiração um texto da Fernanda Montenegro sobre a morte da crítica teatral Bárbara Heliodora. Me chamou a atenção como elas eram amigas e nutriam grande admiração uma pela outra, mesmo que - e não foi raro - a crítica da Bárbara Heliodora ao trabalho da Fernanda tivesse sido algumas vezes mordaz e talvez impiedosa. Esta divergência de opiniões nunca abalou a amizade das duas - que coisa extraordinária ! 

Recentemente vemos a polaridade do país dividido entre petistas e não petistas. Um grupo não conversa com o outro e se ofende com o outro. Mas ambos não podem expressar suas opiniões ? Não podemos mais ser amigos e sermos divergentes ?

No dia a dia, gostamos de conviver com pessoas que pensam como nós. Na verdade, nossas amizades são baseadas nisso. Mas as diferenças existem e sempre existirão e temos que ficar alertas para não cairmos na intolerância expressa na não aceitação de opiniões diferentes das nossas.

Na família temos pessoas diferentes de nós. No trabalho, na igreja, na faculdade. O mundo é rico exatamente por isso : porque somos diferentes. Aceitarmos as diferenças e os diferentes faz parte do bom convívio, desde que não mexa com seus valores. E aí volto à questão do caráter já mencionado no início deste artigo.

Procure ser tolerante com as pessoas ao seu redor. Procure conviver e olhar o melhor que cada um tem a lhe oferecer. E não se admire se perceber que o maior presente foi você quem recebeu : ser uma pessoa pacífica, tolerante, com um sorriso nos lábios, estimada por muitos - apesar de todas as diferenças.

sábado, 18 de abril de 2015

Pessoas de mal com a vida


Em nosso dia a dia convivemos com diversas pessoas. As mais próximas moram conosco ou são nossos familiares mais chegados como pais, irmãos, cônjuge e filhos. Convivemos com várias pessoas no trabalho e também nos lugares em que frequentamos como academias, escolas, associações, clubes, grupos de afinidades, entre outros. E neste convívio diário, vamos estreitando laços com que temos mais afinidades. Mas uma coisa é quase sempre inevitável : mais cedo ou mais tarde nos deparamos com pessoas que estão de mal com a vida.

Às vezes pode ser o porteiro do seu prédio, que mesmo vendo você sobrecarregada com compras, não faz a gentileza de lhe abrir a porta do elevador. Pode ser seu vizinho, que teima em estacionar seu carro sempre atrapalhando a sua garagem. Pode também ser alguém de quem você precise um documento, uma aprovação, uma confirmação... enfim, as pessoas de mal com a vida sempre estarão no seu caminho.

O inverso também é verdade. Outro dia me surpreendi ao ser ajudada por uma senhora no supermercado que me viu apreensiva com tantas sacolas de compra na mão tendo que atravessar uma rua movimentada. Sem eu pedir ou sem ao menos eu notar sua presença, ela se ofereceu pra me ajudar a colocar minhas compras no carro. Quanta gentileza !

Em outra ocasião, uma senhora bateu no meu carro bem de leve, no intervalo entre o sinal amarelo e vermelho. Eu desci imediatamente do meu carro para ver o suposto estrago e para minha surpresa, a senhora veio em minha direção me abraçando, perguntando se eu havia me machucado. Não, eu não havia me machucado, nem meu carro havia sido amassado, mas a delicadeza dela em me abraçar e a preocupação dela em se certificar de que eu estava bem, me comoveram num mundo tão agitado e 
cheio de pessoas que não estão nem um pouco preocupadas com as outras.

Quando você encontrar pessoas de mal com a vida, só lhe resta lamentar por elas. Talvez dando-lhes um abraço ou lhes desejando um bom dia numa atitude verdadeiramente desinteressada possa quebrar um pouco o gelo, quem sabe lhes mostrar que pode haver cuidado e gentileza neste mundo acelerado como o nosso. Pensei em enviar um bilhete na última vez que encontrei uma pessoa assim com os dizeres “Seja feliz”, mas não o fiz. E se ela tomasse aquilo como uma provocação ? Não, não era provocação, era quem sabe o despertar para um mundo fora dela, mais colorido, mais humano, menos burocrático e sisudo.

Se pessoas de bem com a vida cruzarem seu caminho, dê-lhes ao menos um sorriso para demonstrar que compartilha com elas de sua felicidade no viver. E se as de mal com a vida também cruzarem o seu caminho, procure dar-lhes o mesmo sorriso, desta vez na intenção de lhes mostrar que não vale a pena o mau humor e a agressividade ou a rigidez, mas sim a alegria de viver e espalhar bom astral por onde você passar.

sábado, 4 de abril de 2015

Feliz Páscoa !


Nesta Páscoa, gostaria de desejar a você muita paz e harmonia. Que você tenha um reencontro consigo mesmo e que as portas que Ele já abriu conduzam realmente a um caminho de muita luz, renovação e libertação.

sábado, 21 de março de 2015

Sobre a gagueira - filme "O discurso do rei" - por José Henrique P. E. Silva


No filme "O Discurso do Rei" a psicanálise está batendo à porta. Ainda não foi convidada, mas já se insinua, como era tão comum naqueles "tempos heróicos", de expansão e tentativa de consolidação desta nova forma de ver o sujeito.

O filme retrata um episódio verídico na vida de uma família real, mas a história poderia ser de qualquer um e, atentarmos bem se repete a todos os dias, bem próxima de nós mesmos. Impossível não se deixar angustiar com a dor de Bertie. Firth, em sua interpretação, nos mostra muito bem toda a intensidade da dor revelada na gagueira de Bertie. Não estamos falando apenas de um problema "mecânico", como o próprio Bertie deseja solucionar. Muito interessante que a psicanálise não é convidada a entrar no filme, mas ela está, a todo instante, batendo à porta. Estamos em 1939, ano em que o filme atinge seu clímax com a declaração de guerra da Inglaterra à Alemanha (1 de setembro) e ano da morte de Freud (9 de setembro). Me apeguei nesta quase coincidência de datas para justamente enfatizar que, se a psicanálise não é convidada a entrar ela está batendo à porta. Como?

Bertie chega ao "terapeuta da fala" e pede por uma solução mecânica para seu problema. Aqui mais uma interessante coincidência pois ele busca um terapeuta da fala sem imaginar que essa "fala" que será melhorada é de outra ordem que não a mecânica. Mas ele insiste: não quer falar de seus problemas "pessoais". O terapeuta não é um psicanalista e não faz referências diretas à psicanálise, mas leva, gradativamente, Bertie a perceber que ele precisa, de alguma forma, entender que sua gagueira é quase que uma "impossibilidade de falar", no sentido de se expressar, ter a liberdade para se expor. É nessa trilha, calma, que vai se desenhando uma história pessoal que revelava Bertie como fruto de um grande medo.

Ele parecia seguir a uma ordem: "fique calado". Seu pai, o rei, era duro, dizia ao pequeno Bertie que ele respeitara o seu pai e que ele também faria o mesmo. O tom alto da voz do pai o fazia tremer, e era suficiente para lhe ditar um lugar: um lugar muito pequeno, um pequeno espaço onde teria que se virar para sobreviver. O mesmo acontecia com seu irmão mais velho (e natural herdeiro do trono). Bertie relata o quanto a babá do irmão o tratava mal, limitando ainda mais seu espaço de liberdade e expressão. Bertie, então, foi fruto de uma formação precária, onde a autonomia lhe era retirada a todo instante, onde o calar-se era a melhor estratégia para sobreviver. Ainda na infância, não esqueçamos, sofreu uma série de "enquadramentos", como no caso da "correção" das pernas tortas e no caso de reaprender a escrever com a mão direita por ser canhoto. Além disso, tinhas crises estomacais crônicas.

Mas, o fato é que irmão, em pouco tempo, recusa a corôa e prefere seu casamento. Caberá a Bertie assumir o trono. Mas, como? Como aquela criança insegura e medrosa poderá liderar uma nação? Nós não precisamos ter que liderar uma nação para sentirmos as mesmas angustias de Bertie, basta que tenhamos que lidar com a realidade e nossas responsabilidades. É nesse momento que, muitos de nós, revelamos nosss fraquezas e nossa pequenez. Mas nada disto é o que nos define como sujeitos. Podemos inverter o jogo. Bertie estava imerso em um masoquismo moral, a ponto de sequer se atrever a falar daqueles que lhe tinham causado algum prejuízo. Mas, na realidade, não estava plenamente convencido de que sua natureza estava definitivamente conformada a este fato.

Ele não queria fugir às suas responsabilidades. Talves mesmo ele se contentasse em ser um homem comum, mas não o era. Não se trata do fato de ele não ser "grande", mas de, por muito tempo, não ousar querer realmente manifestar essa grandeza. Não podemos esquecer que ele obedecia a uma ordem: "fique calado". Então, diante da necessidade de assumir a posição deixada pelo pai e recusada pelo irmão, ele não desiste e enfrenta os obstáculos. Ler aquele discurso para toda uma nação, e ler tantos outros depois, significava para Bertie, antes de mais nada, recuperar sua grandeza, nem tanto enquanto rei, mas como sujeito, como indivíduo, recuperar sua autonomia, sua liberdade.

Quem sabe, para toda aquela nação inglesa ele tenha sido um efetivo ponto de apoio e esperança, mas acima de tudo, mais do que a nação ele tinha conquistado a si mesmo, recuperado aquela liberdade que havia sido afastada de si, ainda tão criança. Ele iria livrar-se dos "medos infantis", frase de seu terapeuta e que ecoa como um sopro da psicanálise, justamente naquele momento histórico em que ela tinha seu fundador morrendo e transformava-se em algo como um vento que se espalharia rapidamente pelo mundo.

Podemos até tentar escapar à psicanálise, ou mesmo buscar alternativas, mas não podemos nos furtar ao encontro consigo mesmo. Em algum momento esse encontro se impõe e dele resulta um sujeito ainda mais forte e livre, onde a vida flui… como a fala deve fluir, não só mecanicamente, mas como veículo para o encontro consigo mesmo, e com o outro. A dor de Bertie, nos mostrada em sua dificuldade em se expressar, era o sofrimento por não se sentir um sujeito na sua plenitude, livre para expresar sua grandeza. Que mais buscamos, cada um de nós, nesta vida? É difícil, então, não nos reconhecermos um pouquinho naquelas expressões de dor… por não poder falar. 

domingo, 1 de março de 2015

Reflexões sobre Spock


Escrevo estas linhas sob as emoções da perda de nosso querido Spock, ou melhor, de Leonard Nimoy. A confusão é proposital, porque são poucos os que conseguiram a proeza de confundirem o personagem com seu intérprete. Contamos nos dedos : Chaplin e Carlitos, Peter Sellers e o Inspetor Clouseau da Pantera Cor de Rosa, Leonard Nimoy e Spock e para fazermos jus aos nossos heróis nacionais, Mazzaropi e Jeca Tatu, como bem lembrou meu marido, grande fã de Spock. 

Spock era a parte lógica do trio ao qual pertencia, junto com o médico Bones e com o Capitão Kirk. Hoje estudando psicanálise, poderia fazer o paralelo entre id, ego e supergo neste famoso trio, onde Kirk seria o id, movido pela aventura e por suas emoções, Bones o ego representando a realidade, e Spock o superego, a lógica, o sensor.

Quem acompanhou todas as séries de Star Trek (clássica, desenhos animados, Nova geração, Deep Space Nine, Voyager, Enterprise  e mais recentemente o remake da série clássica para o cinema), sabe que Star Trek sempre se propôs a grandes reflexões filosóficas. Mais tarde, incentivados pelo grande sucesso de Star Wars para o cinema, as séries migraram para a telona com filmes memoráveis – não posso deixar de mencionar  que o primeiro filme lançado em 1979 é de uma profundidade absurda, quem não assistiu, merece ir atrás deste grande filme.

E falando especialmente da série clássica, vamos acompanhando a evolução de Spock, um ser meio Vulcano e meio humano (sua mãe é terráquea e por isso suscetível às emoções) que vai se humanizando cada vez mais ao longo da série. Sua saudação “Live Long and Prosper”  deixou uma marca registrada a um personagem tão intrigante, que por muitas vezes não compreendia as piadas dos humanos ou as decisões aparentemente impróprias feitas por seu capitão Kirk, quando Spock  diz : “As necessidades de muitos se sobrepõem às necessidades de poucos” e é imediatamente corrigido por Kirk : “As necessidades de um se sobrepõem às necessidades de muitos” numa circunstância em que desejava salvar a vida do amigo.

Meu marido e eu tivemos a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente quando ele esteve no Brasil em 2003. Ele trazia um sorriso no rosto que não era comum para nós, por conta de Spock. Respondeu a todas as perguntas, contou qual foi sua inspiração para o gestual que acompanha a famosa frase “Live Long and Prosper” e ainda se dispôs a dar autógrafos pra toda aquela multidão com alegria e boa vontade.

Lembrei-me agora dos dois livros que ele escreveu “Eu não sou Spock” e logo depois “Eu sou Spock” – demonstrando mais uma vez a simbiose entre criador e criatura. Como foi bom tê-lo como Spock. Como é bom vê-lo ser lembrado com muito carinho por todos os seus fãs...

Nesta última 6ª. feira, quando Nimoy nos deixou, acompanhei com comoção o que muitos disseram sobre a partida de Nimoy/Spock. Não sei se ele poderia imaginar que o Presidente Obama iria se pronunciar e nem sei se nós brasileiros, esperávamos que no Jornal Nacional William Bonner e Renata Vasconcelos  iriam homenageá-lo em rede nacional. 

Lamentei sua partida como uma fã um pouco tardia da série, pois só fui de fato conhecer a série quando comecei a namorar meu marido há 15 anos e ele me apresentou a este mundo tão extraordinário e interessante que é o mundo da ficção científica. Antes disso, Spock era para mim um homem de orelhas pontudas, o que me fez prontamente imaginá-lo como o vilão da história. 

Sinto sua partida com certo pesar, pois agora sei que ele não mais nos brindará com seu grande personagem, e não mais nos surpreenderá, como o fez no 2º filme do remake de 2013, quando sua aparição me causou um misto de susto e alegria, pois o spoiler de que ele estaria neste 2º. filme não chegou até mim antes de eu assistí-lo.

Leonard Nimoy foi um herói pra mim. Seu personagem Spock é um exemplo de conduta, ética e disciplina. Meu coração está saudoso mas feliz, pois ele nos deixou um grande legado.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Você está pronto para morrer ?


O grande neurologista e também escritor Oliver Sacks, de 81 anos, anunciou recentemente ter câncer terminal. Esta notícia me deixou um sentimento de saudade, uma vez que Sacks, apesar de seus 81 anos, continua muito produtivo. Seus livros são traduzidos no mundo inteiro, sua contribuição para a neurociência tem sido muito significativa, e até o filme "Tempo de Despertar" de 1991, foi resultado de uma obra dele. Com tanta contribuição para o mundo, acho natural já sentir uma certa saudade prematura de alguém que contribuiu e ainda vem contribuindo tanto para a humanidade. Mas fica a pergunta : estamos prontos para morrer ?

Estar pronto para morrer talvez não seja o termo mais adequado, uma vez que na maioria esmagadora das vezes, o ser humano não deseja a morte e por isto nunca está realmente preparado para morrer. Mas não trago esta questão no sentido de ter medo da morte ou no sentido de acreditar em algo além da vida, o que aliás, acredito. Penso nesta questão no sentido do desapego.

Meu professor de Psicanálise, com muita sabedoria, nos diz que este corpo não é nosso, nossos filhos não são nossos, nossos cônjuges não são nossos, nossos pais não são nossos, e que na verdade tudo isto que recebemos é emprestado. E ao analisarmos por esta ótica, se não é nosso e sim emprestado, o desapego é mais fácil. Com este olhar, podemos levar uma vida mais leve e com menos sofrimento, pois se não é nosso, é passageiro, efêmero, muitas vezes circunstancial.

E esta saudade ao saber da morte do Oliver Sacks me vem porque ao anunciar para o mundo de sua fase terminal da doença, ele escreveu um texto muito comovente. Ele agradeceu. Disse ter extrema gratidão em relação à vida, como traduzido abaixo :

"Mas meu sentimento predominante é o de gratidão. Eu amei e fui amado; recebi e dei em troca; li e viajei e refleti e escrevi. Eu tive um relacionamento com o mundo, o tipo de relacionamento especial que os escritores e leitores tem. Acima de tudo, eu fui um ser sensível, um animal pensante, nesse lindo planeta, e isso em si mesmo tem sido um grande privilégio e uma aventura”.

Que maneira mais bonita de refletir sobre a vida ! Agradecer por tudo, reconhecer o amor, os momentos em que deu e recebeu, em que refletiu, escreveu... como é bonito termos este sentimento quando estamos próximos da partida !

Outra coisa que me chamou a atenção é que ele disse que agora pode não se importar com coisas que pertencem ao futuro, como o aquecimento global e a desigualdade social. Pode sim, porque imagino que vá aproveitar seus momentos fazendo o que ama ao lado das pessoas que ama. Mas como é bonito ver alguém nos seus momentos finais ainda pensando no todo, em algo tão coletivo e empático como o aquecimento global e a desigualdade social.

Oliver Sacks fará falta porque não pode ser substituído. E aqui está o grande segredo : ninguém pode ! Todos nós somos únicos e por isso especiais. Todos nós temos a oportunidade de deixar um grande legado e belos exemplos. E você : está pronto para morrer ?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Errar é humano ?


Nós sempre cometemos erros, isto faz parte da caminhada do ser humano. Algumas vezes erramos sem perceber e apenas após algum tempo nos damos conta de que tomamos uma decisão errada. Outras vezes erramos por omissão, por não nos posicionarmos frente ao que nos exigiu coragem para uma decisão. Mas existem vezes em que erramos propositadamente, mesmo sabendo que causaremos danos ás pessoas ao nosso redor. Por isto me pergunto : errar é humano ?

Sim, errar é humano porque não somos perfeitos, porque não temos ciência de tudo o que acontece ao nosso redor. Uma história tem várias versões : a nossa, a do outro e também a de um terceiro que está de fora e consegue ver a situação com mais clareza justamente por não fazer parte dela. 

Mas eu poderia dizer que errar é humano quando somente eu sofrerei a consequência do meu erro. Se eu deveria ter escolhido azul e não verde e depois reconheço que o azul teria sido melhor pra mim, foi aparentemente um erro de escolha, mas que não lesou ninguém, não prejudicou ninguém, apenas a mim mesma.

Mas eu posso também cometer um erro que também prejudica outra pessoa. E isto pode não ser intencional, mas de alguma forma resultado das ligações que esta pessoa tem comigo e que a fizeram de alguma forma colher a consequência do meu ato. Neste caso errar não é só humano, é também consequência de uma atitude imperfeita.

Mas existem situações em que as pessoas persistem no erro e estão constantemente provocando consequências em outras pessoas. Já disse o ditado popular que errar é humano e persistir no erro é burrice. Quando persistimos numa atitude que cronicamente gera um mal para nós e para as pessoas ao nosso redor, nossa atitude pode de fato ser considerada um erro.

E como seria uma atitude maldosa ? Ela acontece quando intencionalmente desejamos o mal para o outro, quando sabemos que podemos optar por azul ou verde, mas escolhemos o verde com a intenção de prejudicar o outro. Aí está uma atitude maldosa.

E podemos ter um equilíbrio em nossas atitudes ? Sim. Quanto mais empáticos e menos egocêntricos formos, mais tenderemos a cometer erros humanos e menos erros em que outras pessoas estarão envolvidas, intencionalmente ou não. Ao colocarmos o outro em primeiro plano, nossa perspectiva para a solução do problema é maior, e muitas vezes, surgem novas oportunidades que antes não víamos, porque estávamos necessariamente olhando somente para nosso umbigo.

Errar é humano sim, faz parte da nossa caminhada. Aprender com os erros, porém, é sinal de grande sabedoria.